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Plantas de cobertura ganham espaço no manejo do solo

Técnicas apresentadas em Cruzeiro do Sul mostram como proteger o solo, conservar água e dar maior estabilidade à produção rural.

2º dia de campo de solos

O uso de plantas de cobertura e técnicas para reduzir a perda de solo reuniu 70 participantes nesta quarta-feira (16), na Fazenda Água Viva, em Cruzeiro do Sul, no Noroeste do Paraná. Promovido pelo Sistema FAEP, o Dia de Campo apresentou práticas de conservação voltadas à produtividade e ao manejo das propriedades rurais.

Produtores rurais, estudantes e técnicos ligados à agropecuária participaram de atividades sobre integração lavoura-pecuária, plantas de cobertura, estruturas de conservação e avaliação visual da qualidade do solo.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou a relação entre conservação, produtividade e sustentabilidade nas propriedades rurais.

“A conservação do solo é a base para a produtividade da nossa agropecuária. Trazer discussões como o uso de plantas de cobertura e o controle da erosão é fundamental para garantir que o produtor paranaense continue trabalhando com eficiência, rentabilidade e de forma sustentável”, afirmou.

Plantas de cobertura protegem o solo

O engenheiro agrônomo do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná) Celso Seratto apresentou diferentes aplicações das plantas de cobertura. Segundo ele, determinadas espécies podem contribuir para melhorar a saúde do solo em sistemas de rotação de culturas e também durante reformas de pastagens.

“A palhada sobre o solo, por exemplo, vai permitir que haja proteção da radiação, controle da temperatura e redução da evapotranspiração. Além disso, colabora na proteção contra os processos de erosão”, explicou Seratto.

As plantas de cobertura também podem auxiliar no manejo de populações de parasitas e proporcionar maior estabilidade à produção, principalmente durante períodos de estresse hídrico, seja pela falta ou pelo excesso de chuva.

“Essas plantas, aliadas ao manejo químico e biológico, passaram a ser peças-chave no sistema de produção, porque elas têm garantido que o produtor consiga alcançar os resultados de manejo que ele esperava”, disse o agrônomo.

Conservação busca manter água na propriedade

O engenheiro agrônomo e extensionista rural do IDR-Paraná Helio Henrique Soares abordou as estruturas de conservação do solo. A apresentação recuperou o histórico das práticas adotadas no Paraná desde a década de 1980 e tratou de problemas que voltaram a ocorrer.

Entre as medidas discutidas estão técnicas para ampliar a infiltração e manter a água dentro da propriedade, combinando práticas de terraceamento e manejo das culturas.

“Falamos sobre como manter a água na propriedade, não só por meio de práticas de terraceamento, mas também práticas de cultura, para fazer a água infiltrar no solo. É um tema importante, ainda mais agora, com o El Niño”, afirmou Soares.

Os participantes também conheceram formas de estimar perdas por meio da equação universal de perda de solo e resultados obtidos pela Rede AgroPesquisa.

A iniciativa conduz experimentos em megaparcelas instaladas em diferentes regiões do Paraná. O trabalho analisa os impactos de eventos climáticos sobre o solo e a eficácia de métodos utilizados para evitar a erosão.

“Esses dados são importantes para conscientizar os produtores de que não é só solo que vai embora, é também o adubo e a matéria orgânica”, avaliou o agrônomo.

Técnicas atendem diferentes atividades rurais

O presidente do Sindicato Rural de Paranacity e do Núcleo Regional dos Sindicatos do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespar), Arnaldo Cortez, participou do encontro.

“Foi um evento que trouxe muita técnica, além de orientações simples que foram ditas, mas que podem transformar muito o dia a dia dos produtores”, comentou.

Para o presidente do Sindicato Rural de Maringá, José Antônio Borghi, as práticas de conservação interessam tanto aos agricultores quanto aos pecuaristas.

“É um tema que está relacionado a todas as cadeias, porque o solo interfere em todas as atividades rurais. O produtor tem que ter a consciência de que o solo é a base de tudo. Não existe atividade agrícola sem um solo bem manejado”, observou.

Série terá encontros em Irati e Cambará

O encontro em Cruzeiro do Sul integra uma série de Dias de Campo sobre solo promovida pelo Sistema FAEP. A primeira atividade ocorreu em Toledo, em 5 de agosto, e a segunda em Umuarama, em 2 de setembro.

Depois de Cruzeiro do Sul, a programação segue para Irati, em 24 de setembro, e Cambará, em 30 de setembro. Os eventos são gratuitos.

Os produtores interessados podem fazer a inscrição pelos formulários disponibilizados pelo Sistema FAEP ou procurar o sindicato rural do município para obter informações.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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