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IA auxilia decisões na pecuária de corte

Experiência em Iowa (EUA) mostra como milhares de registros podem antecipar problemas de saúde e orientar manejo e comercialização.

gado confinamento

A inteligência artificial começa a auxiliar a interpretação de dados e a tomada de decisões na pecuária dos Estados Unidos, onde informações sobre peso, alimentação, saúde e desempenho permitem acompanhar cada bovino. Uma propriedade no Iowa, visitada pelo Sistema FAEP, mostra como a tecnologia pode orientar manejo, investimentos e comercialização.

A Justin Robbin’s Farm, propriedade de pecuária de corte localizada em Scranton, no Estado do Iowa, utiliza dados durante diferentes etapas da produção. A fazenda recebeu uma delegação do Sistema FAEP formada por produtores e lideranças rurais do Paraná.

O acompanhamento começa no nascimento, com registros do peso inicial, peso à desmama e histórico sanitário. Cada vez que o animal passa pelo tronco para manejo ou tratamento, uma nova pesagem é realizada. Posteriormente, dados do abate e da classificação da carne também entram no histórico.

Dados ajudam a definir permanência no rebanho

Os registros são organizados com programas de gestão, como CattleMax e Performance Beef. Um dos sistemas acompanha individualmente os bovinos, enquanto o outro permite monitorar informações como consumo de alimento, ruminação e despesas.

Os dados ganham importância no momento de decidir quais animais devem permanecer no rebanho. O desempenho dos bezerros, por exemplo, pode ser utilizado para avaliar uma matriz.

“Conseguimos perceber rapidamente se uma vaca está perdendo desempenho por meio da sua cria. Se os animais não estão apresentando bons resultados, tomamos a decisão de vender aquela vaca”, explicou o pecuarista Justin Robbins.

A mesma análise é aplicada aos bovinos que não alcançam o desempenho esperado durante a produção. Nesse caso, as informações ajudam o produtor a decidir se deve continuar investindo no animal.

Experimento gerou 250 mil linhas de dados

Na pesquisa, a quantidade de informações produzidas pode crescer rapidamente. Sensores permitem acompanhar indicadores como ganho médio diário de peso, eficiência alimentar, consumo, temperatura corporal e características relacionadas ao funcionamento do rúmen.

Dependendo da tecnologia utilizada, os equipamentos também podem identificar mudanças relacionadas à proximidade do parto ou alterações no estado de saúde do bovino.

Um experimento conduzido pela diretora do Iowa Beef Center, da Iowa State University, Aimee Wertz Lutz, demonstra o volume envolvido. Apenas 16 bovinos monitorados durante 112 dias produziram cerca de 250 mil linhas de dados.

Identificadores eletrônicos permitem associar cada informação ao animal correspondente. Os softwares organizam esses registros e ferramentas de inteligência artificial começam a ser utilizadas para cruzar conjuntos de dados gerados por diferentes equipamentos.

“Temos tantos dados que conseguir administrá-los se torna fundamental. Podemos coletar todo tipo de informação, mas ela precisa se transformar em algo que tenha impacto no desempenho econômico”, afirmou Aimee.

Tecnologia pode antecipar sinais de doenças

A identificação de alterações na saúde dos animais é uma das aplicações apontadas para esse monitoramento. Segundo Aimee, os confinamentos norte-americanos ficaram maiores e mais concentrados, enquanto a disponibilidade de mão de obra é limitada.

Nesse cenário, os sensores podem complementar a observação dos trabalhadores e ajudar na identificação de alterações antes que os sinais sejam percebidos visualmente.

“Começar o tratamento dois ou três dias antes de enxergarmos visualmente os sinais da doença permite maior possibilidade de recuperação e menor perda de desempenho”, afirmou a diretora do Iowa Beef Center.

Os dados também podem auxiliar na comercialização. Em confinamentos, informações diárias sobre consumo podem ser combinadas aos registros de crescimento para estimar quando determinado lote deve alcançar o peso de mercado.

A diferença está na forma de coleta. Informações que anteriormente dependiam de registros manuais podem ser captadas automaticamente durante a rotina da propriedade.

Experiência pode servir de referência ao Paraná

Para o agropecuarista, médico-veterinário, especialista em produção de ruminantes e diretor-secretário do Sindicato Rural de Jacarezinho, João Paulo Calomeno, a experiência observada nos Estados Unidos apresenta possibilidades para ampliar a gestão dos rebanhos paranaenses.

“O produtor vai conhecer um a um, só que eletronicamente. Já existem ferramentas para ter esse controle, mas grande parte dos produtores ainda trabalha de forma tradicional”, avaliou.

Calomeno destaca que o acompanhamento não se restringe ao peso ou ao desempenho produtivo. A organização das informações também pode permitir uma análise mais detalhada dos resultados financeiros da atividade.

“Tendo controle dos dados, sabendo corretamente quanto está ganhando e o custo de produção, o pecuarista consegue avaliar melhor a atividade e decidir onde vale a pena investir”, afirmou.

Segundo Calomeno, a tecnologia também reduz o tempo necessário para processar as informações disponíveis na propriedade. “O que antes levava horas para compilar pode ser analisado em poucos minutos. Isso otimiza o tempo e agiliza as decisões”, concluiu.

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Redação

Diário Sudoeste - Notícias de Pato Branco, Sudoeste do Paraná.

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