Convenção confirmou chapa “puro-sangue” formada apenas por integrantes da legenda
O PSD oficializou neste sábado (25) a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República, com Gilberto Kassab como vice. O ex-governador de Goiás chegou à convenção com a chapa já definida: em 1º de julho, havia anunciado Kassab como companheiro de chapa e afirmado que o presidente do partido participaria ativamente de um eventual governo. A escolha formou uma chapa “puro-sangue”, composta apenas por integrantes da legenda. O PSD não fechou coligações até o momento.
No palco do evento, diante de militantes e partidários, Caiado agradeceu o apoio de Kassab. “Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”, afirmou. O candidato prometeu, se eleito, implantar um “novo modelo de governo”.
Caiado defende candidatura fora da polarização
“Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. É o que nós demonstramos. Saímos do governo do Estado com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece. O que o Brasil precisa é de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão brasileiro”, disse Caiado.
Kassab é ex-prefeito de São Paulo e fundador do PSD
Ex-prefeito de São Paulo, Kassab foi ministro nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer e secretário na gestão de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Em 2011, fundou o PSD, partido que tem o maior número de prefeitos do país.
Partido enfrenta dificuldades para unificar palanques estaduais
Apesar da chapa 100% PSD, Caiado enfrenta dificuldades para unificar o partido em estados importantes. Em São Paulo, a legenda apoia a reeleição de Tarcísio, que está aliado a Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões, do PSD, declarou apoio a Zema, do Novo. No Rio de Janeiro e na Bahia, lideranças estaduais do partido apoiam o presidente Lula. Com isso, a chapa pode ficar sem palanques próprios em alguns dos maiores colégios eleitorais do país.
Outros pré-candidatos ainda vão realizar convenções
Outros pré-candidatos à Presidência ainda vão oficializar suas candidaturas nos próximos dias. Romeu Zema, do Novo, tem convenção marcada para segunda-feira (27), em Brasília, ainda sem vice definido. Lula, do PT, realiza sua convenção em 2 de agosto, em São Paulo, com Geraldo Alckmin como vice.
A convenção é o ato em que o partido oficializa seus candidatos nas eleições. O prazo para isso vai até 5 de agosto. Depois, as candidaturas devem ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A campanha começa oficialmente no dia seguinte.
Caiado venceu disputa interna no PSD
Caiado lançou sua pré-candidatura à Presidência em abril de 2025, quando ainda estava no União Brasil. A formação da federação entre o partido e o Progressistas ampliou a resistência ao projeto presidencial dentro do próprio grupo e levou o então governador a buscar outra legenda.
Em janeiro de 2026, Caiado anunciou a saída do União Brasil e a filiação ao PSD, que já tinha outros dois governadores interessados na candidatura: Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Ratinho desistiu para concluir o mandato, e Caiado venceu a disputa interna com Leite. Foi escolhido pela direção do partido em 30 de março e, no dia seguinte, deixou o governo de Goiás, entregando o cargo ao então vice, Daniel Vilela, do MDB.
Na pesquisa Quaest divulgada em julho, Caiado aparece em terceiro lugar, com 4% das intenções de voto no primeiro turno, atrás de Lula, com 40%, e Flávio Bolsonaro, com 28%.
Segunda disputa presidencial em 37 anos
Ronaldo Caiado tem 76 anos, é médico ortopedista e produtor rural. Natural de Anápolis, em Goiás, iniciou sua atuação política como um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), entidade criada para representar proprietários rurais durante as discussões sobre a reforma agrária. Presidiu a organização entre 1986 e 1989.
Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, disputou a Presidência pelo antigo Partido Social Democrático, legenda sem relação com o partido atual de mesmo nome. Recebeu cerca de 489 mil votos, ou 0,72% do total, e terminou em décimo lugar entre 22 candidatos.
No ano seguinte, foi eleito deputado federal por Goiás com cerca de 98 mil votos, a maior votação do estado. Deixou a Câmara em 1994 para disputar pela primeira vez o governo goiano, mas terminou em terceiro lugar, atrás do vencedor Maguito Vilela, do então PMDB.
Retornou à Câmara em 1998, eleito com cerca de 100 mil votos, e conquistou mais três mandatos consecutivos, com aproximadamente 115 mil votos em 2002, 153 mil em 2006 e 168 mil em 2010. Ao longo da trajetória, passou pelo Partido Democrata Cristão e pelo Partido Progressista Reformador antes de se estabelecer no Partido da Frente Liberal, legenda que mudou de nome para Democratas em 2007 e depois se fundiu ao Partido Social Liberal para formar o União Brasil. Caiado permaneceu nesse grupo até migrar para o atual PSD em 2026.
Em 2014, deixou a Câmara e foi eleito senador por Goiás com cerca de 1,28 milhão de votos, ou 47,57% do total. Deixou o Senado na metade do mandato para assumir o governo estadual.
Caiado foi eleito governador de Goiás em 2018, no primeiro turno, com aproximadamente 1,77 milhão de votos, ou 59,73%, derrotando Daniel Vilela. Quatro anos depois, o então adversário se tornou candidato a vice em sua chapa, e Caiado foi reeleito também no primeiro turno, com 51,81% dos votos.
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Condenação eleitoral foi revertida
A Justiça Eleitoral havia entendido que Caiado usou o Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás, para promover reuniões em apoio a Sandro Mabel, seu candidato à Prefeitura de Goiânia. A condenação foi posteriormente revertida.
Propostas incluem anistia e corte de gastos públicos
Caiado defende a concessão de anistia como uma das primeiras medidas de seu eventual governo, argumentando que a medida ajudaria a “pacificar” o país. A anistia, no entanto, não pode ser concedida unilateralmente pelo presidente, já que a Constituição estabelece que ela depende da aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional.
Na economia, o candidato propõe um corte imediato de 25% nos orçamentos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Segundo ele, o Estado precisa reduzir seus próprios gastos antes de cobrar novos sacrifícios da população. Caiado também promete não aumentar impostos e reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto em um ponto percentual por ano.
Fonte: diariodosudoeste.com.br






















