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Paraná projeta safra recorde de soja apesar do El Niño

Deral estima produção de 22,6 milhões de toneladas no estado, enquanto fenômeno climático levanta alerta para excesso de chuvas no Sul do país

Soja

A safra brasileira de soja 2026/27 pode bater novo recorde de produção, mas o El Niño, classificado como muito forte pela agência americana NOAA, ameaça o resultado no Sul do país, onde as chuvas devem ficar acima da média entre a primavera e o verão.

As primeiras estimativas de área para o ciclo, que começa em setembro, variam entre 49 milhões e 49,5 milhões de hectares, segundo consultorias como AgRural, Datagro, StoneX e Hedgepoint. Seria o vigésimo ano consecutivo de expansão da lavoura no país, embora em ritmo mais lento que nas últimas duas décadas.

A Datagro projeta produção de 185,6 milhões de toneladas, com produtividade média nacional de 3.763 quilos por hectare, um por cento acima do recorde estimado para a safra atual. StoneX trabalha com 183,1 milhões de toneladas e Hedgepoint, com 181,7 milhões.

Paraná projeta 22,6 milhões de toneladas

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) estima produção recorde de 22,6 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, em área de 5,76 milhões de hectares. A produtividade média projetada supera 3.900 quilos por hectare.

O órgão informa que a confirmação do volume depende das condições climáticas ao longo do ciclo. O boletim do Deral cita diretamente o El Niño como fator que tende a aumentar a frequência de chuvas no Sul do Brasil, principalmente durante a primavera.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o instituto Imea projeta área de 13,05 milhões de hectares e produção de 48,88 milhões de toneladas, com produtividade de 62,44 sacas por hectare. A abertura oficial do plantio da soja no país está marcada para 17 de setembro, na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte.

El Niño pode ser o mais forte já registrado

A NOAA aponta 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no último trimestre de 2026, o que pode colocar o fenômeno entre os mais intensos desde o início das medições, em 1890. A chance de intensidade muito forte saltou de 37% para 63% em apenas um mês, segundo levantamento anterior da mesma agência.

Um boletim conjunto de órgãos oficiais de meteorologia, entre eles o Inmet, indica que o fenômeno deve seguir influenciando o clima brasileiro até pelo menos o início de 2027. A previsão para o trimestre de julho a setembro de 2026 já apontava chuvas acima da média em áreas da região Sul.

Impactos variam entre regiões

Segundo a Embrapa, o El Niño deve provocar excesso de chuvas e maior pressão de doenças fúngicas nas lavouras do Sul, enquanto o Norte e o Nordeste ficam mais sujeitos à redução e à irregularidade das precipitações. No Centro-Oeste, o fenômeno pode atrasar o início das chuvas de verão e reduzir a umidade do ar.

A empresa recomenda que produtores respeitem os períodos de semeadura indicados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o Zarc, como principal medida para reduzir os riscos climáticos na safra de soja.

Um estudo do banco Santander aponta que, se confirmada intensidade forte ou muito forte, o El Niño pode até favorecer a produtividade de soja e milho no Sul, pela maior regularidade das chuvas. Mas o mesmo levantamento alerta que o efeito não deve ser interpretado como positivo para toda a agropecuária brasileira, já que a volatilidade da produção nacional tende a aumentar e a pressão sobre os preços de alimentos pode crescer.

Argentina também amplia área

O movimento de expansão não se restringe ao Brasil. A Argentina projeta aumento de onze por cento na área de soja para a safra 2026/27, para 18,3 milhões de hectares, com produção estimada em 55,78 milhões de toneladas, alta de doze por cento sobre o ciclo anterior, segundo a consultoria Safras & Mercado.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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