O Ibovespa fechou em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, nesta sexta-feira (30), na quinta baixa seguida. Na semana, o principal índice da B3 acumulou perda de 18,12%, a pior desde março de 2020. O dólar à vista subiu 1,05%, a R$ 5,4443, e avançou 9,04% na semana, diante da incerteza fiscal após as eleições.
No pregão desta sexta, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 167.007,57 pontos e a máxima de 169.184,60 pontos. O volume financeiro foi de R$ 31,6 bilhões. Em relação ao fechamento de quinta-feira (29), de 169.186,42 pontos, a perda foi de 1.264,62 pontos.
Em outubro, a bolsa recuou 9,88%, a maior queda mensal desde junho de 2022. No ano, o índice ainda acumula alta de 4,22%. O dólar subiu 5,20% no mês, e a alta semanal foi a maior desde outubro de 2008.
Semana mais negativa em seis anos
A pior sessão da semana foi a de segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, quando o Ibovespa caiu 13,88% e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em quedas fortes. Nos dias seguintes, o índice recuou 0,51% na terça-feira (27), 2,68% na quarta-feira (28) e 1,06% na quinta-feira (29).
O movimento reflete a reavaliação do risco fiscal após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parte do mercado havia apostado em uma troca de governo, e a indefinição sobre o próximo ministro da Fazenda ampliou a cautela. Entre os nomes citados nos bastidores estão Rafael Fonteles, Geraldo Alckmin, Mansueto Almeida e a possível permanência de Fernando Haddad.
Na quinta-feira, o ministro Guilherme Boulos afirmou que o ajuste fiscal defendido por agentes do mercado não fazia parte do programa vencedor. Investidores estrangeiros também retiraram R$ 2,8 bilhões da bolsa na quarta-feira.
Bancos em queda, Vale e Petrobras em alta
Os bancos, sensíveis à alta dos juros futuros, ficaram entre as principais pressões do dia. BTG Pactual (BPAC11) caiu 4,66%, Santander (SANB11) recuou 2,84%, Itaú (ITUB4) perdeu 2,15% e Bradesco (BBDC4) caiu 2,12%. Banco do Brasil (BBAS3) fechou estável, com leve alta de 0,06%.
Do outro lado, Vale (VALE3) subiu 3,28%, a R$ 62,02, mesmo com lucro de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre, 53% menor que um ano antes. Petrobras (PETR4) avançou 0,98%, e as ações ordinárias (PETR3) subiram 1,61%, apoiadas pela alta do petróleo. O Brent subiu 2,37%, a US$ 113,43 o barril, após ataques a embarcações no Estreito de Ormuz.
A maior alta do Ibovespa foi de CSN Mineração (CMIN3), com 8%, seguida por Magazine Luiza (MGLU3), com 4,29%, e Cosan (CSAN3), com 3,56%. Na ponta negativa, Usiminas (USIM5) caiu 8,59% após lucro abaixo do esperado, seguida por CSN (CSNA3), com 8,49%, e B3 (B3SA3), com 5,42%.
Nos juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2031 passou de 15,20%.
Exterior e dados econômicos
Em Nova York, as bolsas fecharam em queda, pressionadas por balanços fracos de empresas de tecnologia, como Intel e Amazon. O Dow Jones caiu 1,06%, aos 51.785,82 pontos, o S&P 500 recuou 1,83%, aos 7.578,97 pontos, e o Nasdaq perdeu 2,84%, aos 25.442,31 pontos.
No Brasil, o IBGE informou que a taxa de desemprego ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, abaixo dos 5,4% do trimestre anterior e a menor da série iniciada em 2012. O minério de ferro recuou 1,18% em Dalian, na China, a US$ 100,87 por tonelada.
O que dizem os analistas
Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a queda não é reação emocional. “Não é pânico isolado, e sim uma reprecificação do risco país”, afirmou. Segundo ele, o comportamento dos juros longos é decisivo. “Enquanto os vencimentos longos continuarem subindo, a bolsa não respira”, disse.
Gass avalia que a escolha do novo ministro da Fazenda será determinante. Um nome com credibilidade fiscal poderia favorecer a recuperação, enquanto sinais de mais gastos manteriam a pressão. Ele projeta volatilidade, com suporte em torno de 165 mil pontos e resistência perto de 181 mil, e recomenda compras graduais.
David Martins, diretor de investimentos da Brasil Wealth, atribuiu a pressão à “falta de definições sobre a condução da política econômica no próximo mandato de Lula”. Segundo ele, a queda desta sexta foi menos intensa que a dos primeiros pregões após a eleição.
O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, destacou o discurso do governo sobre as contas públicas. “Nos últimos dias, diversos expoentes do governo fizeram declarações públicas contrárias a qualquer ajuste”, afirmou em nota.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, disse ainda durante o pregão que não houve sinal do governo de que fará ajustes. Segundo ele, sem mudança na política fiscal, a tendência é de juros mais altos.
Próxima semana
O mercado aguarda a definição do ministro da Fazenda e um pronunciamento do presidente Lula, previsto para a próxima semana. No exterior, os Estados Unidos realizam eleições legislativas na terça-feira (3).

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