Com a confirmação do tornado que atingiu Piraí do Sul no sábado (8), o Paraná chegou a dez tornados registrados em 2026. O fenômeno atingiu 20 residências na área rural, deixou 20 pessoas desalojadas e mobilizou equipes do Simepar e da Defesa Civil para levantamento dos danos.
Há ainda um 11º fenômeno em análise pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, o Simepar. Dos dez tornados já registrados neste ano, seis ocorreram em apenas três dias, entre 28 e 30 de junho.
Segundo especialistas, o Sul do Brasil, formado por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, integra com Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai a segunda região do mundo mais propensa à ocorrência de tornados. A primeira é o Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Tornado atinge área rural de Piraí do Sul
O tornado de sábado atingiu uma área rural localizada a cerca de 30 km do centro de Piraí do Sul, nos Campos Gerais.
Segundo boletim da Defesa Civil, 20 residências foram afetadas nas comunidades de Capinzal, Jararaca, Fundão e no bairro Santo André.
O fenômeno deixou 20 pessoas desalojadas. Todas foram acolhidas em casas de parentes e não houve registro de vítimas.
Logo após a ocorrência, a Defesa Civil distribuiu lonas para a cobertura das estruturas atingidas por destelhamentos.
O bairro Santo André ficou isolado. Equipes da Prefeitura trabalharam na retirada de árvores e galhos caídos para restabelecer os acessos.
As operações foram coordenadas por um Posto de Comando instalado no quartel da Brigada Comunitária. Uma equipe do Simepar também iniciou o levantamento dos danos em campo.
Paraná teve seis tornados em três dias
Antes da ocorrência em Piraí do Sul, o Paraná já contabilizava nove tornados em 2026. Seis deles foram registrados entre 28 e 30 de junho.
Após análises de campo, imagens de drones e satélites e dados de radar, o Simepar confirmou fenômenos em Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva.
Em 28 de junho, Reserva foi atingida por um tornado de categoria F2, classificação associada a danos consideráveis. Nova Cantu registrou um tornado F1, categoria de danos moderados.
Em 30 de junho, foram confirmados tornados F1 em Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins.
Um segundo tornado também atingiu Inácio Martins e avançou até Cruz Machado. Esse fenômeno não recebeu classificação porque não houve registro de danos.
No início de 2026, outros três tornados já haviam sido identificados no Estado. Os registros ocorreram em Mercedes e São José dos Pinhais, em janeiro, e em Foz do Iguaçu, em fevereiro.
Com Piraí do Sul, o total chegou a dez ocorrências confirmadas ao longo do ano.
Paraná integra corredor de tornados
O consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden, Francisco Mendonça, afirmou que o Sul do Brasil está geograficamente inserido em uma área considerada o segundo maior corredor do mundo para a ocorrência de ventos extremos.
“O Paraná está em uma área geográfica de ocorrência de ventos extremos, sobretudo ao longo das calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além da foz, no Oeste do Paraná, Oeste Catarinense, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul”, explicou Mendonça.
O geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná apontou que essas regiões apresentam áreas mais planas e extensas, condição relacionada à ocorrência desses fenômenos.
Mendonça também relacionou a ocorrência de eventos extremos às condições climáticas e meteorológicas globais.
“O fator mais expressivo que leva a entender ou acreditar que aumentou este tipo de fenômeno no Paraná tem a ver com relações climáticas e meteorológicas globais”, afirmou.
Segundo o consultor, as águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul permaneceram aquecidas na passagem de 2025 para 2026, aumentando a disponibilidade de energia na atmosfera.
Rio Bonito do Iguaçu teve tornado F4 em 2025
O Paraná registrou uma das ocorrências mais graves em novembro de 2025, quando um tornado F4 atingiu Rio Bonito do Iguaçu.
Os ventos foram estimados em até 400 km/h. Seis pessoas morreram em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava. Mais de 800 pessoas ficaram feridas.
O episódio está entre os registros de maior intensidade mencionados no histórico recente de tornados no Estado.
Pesquisas sobre tornados avançaram no Brasil
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, Ernani Nascimento, afirmou que estudos sobre tornados eram relativamente raros no Brasil até o início dos anos 2000.
“Até cerca de 30 anos, havia trabalhos isolados, como os da professora Maria Assunção Faus da Silva Dias, da USP, uma das pioneiras na documentação de tornados no Brasil”, afirmou.
O primeiro registro fotográfico de um tornado no Brasil foi feito em 1975 pela Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A imagem registrou uma coluna em forma de funil durante uma tempestade.
O avanço dos estudos permite ampliar o monitoramento dos fenômenos e desenvolver medidas voltadas à redução de danos humanos e materiais.
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Como os tornados são classificados
Tornados são colunas giratórias de ar que se estendem das nuvens até o solo durante tempestades severas. Os fenômenos apresentam ventos de alta velocidade, curta duração e elevado potencial de destruição.
A Escala Fujita classifica a intensidade dos tornados principalmente pelos danos observados em estruturas e vegetação.
Na classificação apresentada, um tornado F0 apresenta ventos entre 65 km/h e 116 km/h e provoca danos leves. O F1 tem ventos entre 116 km/h e 180 km/h, com danos moderados.
A categoria F2 compreende ventos entre 180 km/h e 253 km/h e danos consideráveis. O F3 varia de 253 km/h a 332 km/h e pode provocar danos severos.
Já um tornado F4 apresenta ventos entre 332 km/h e 418 km/h e é classificado pelos danos devastadores.




















