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Projeto da FAEP destaca oito cachaças artesanais do Paraná

Exposição em Curitiba reúne marcas de diferentes regiões durante setembro e outubro para divulgar a produção rural do Estado

Projeto da FAEP destaca oito cachaças artesanais do Paraná

O Projeto Orgulho Paraná reúne oito cachaças artesanais de diferentes regiões na sede do Sistema FAEP, em Curitiba, durante setembro e outubro. A exposição busca ampliar a visibilidade da produção rural paranaense em um setor que chegou a 74 estabelecimentos registrados em 2025, crescimento de 72% em relação ao ano anterior.

Conforme o Anuário da Cachaça 2026, os estabelecimentos estavam distribuídos por 45 municípios. O Paraná também somava 406 registros de produtos, média de 5,5 por estabelecimento, e 553 marcas vinculadas aos registros, média de 7,5 por cachaçaria.

A exposição dá continuidade ao Orgulho Paraná, que já abriu espaço para produtos como cafés, geleias e compotas, erva-mate, vinhos, grãos, queijos e mel.

Produção muda conforme cada região do Paraná

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, as características da bebida estão relacionadas tanto à trajetória dos produtores quanto às condições encontradas em cada região.

“A cachaça carrega histórias, tradição familiar e características próprias de cada região onde é produzida. Das condições úmidas da Serra do Mar até as áreas mais frias do Centro-Sul, cada sabor passa pelos diferentes ambientes, formas de cultivo da cana-de-açúcar, processos de fermentação, destilação e armazenamento até chegar ao consumidor”, destacou.

Entre as referências está Morretes, no Litoral. Em 2023, a cachaça produzida no município conquistou a Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem, que relaciona características e qualidades do produto às condições naturais e humanas do território.

Paraná exportou US$ 1,08 milhão em cachaça

A produção paranaense também chega ao mercado internacional. Segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Paraná exportou US$ 1,08 milhão em cachaça e caninha em 2025.

Os embarques chegaram a 973 toneladas. Paraguai, Estados Unidos e Países Baixos estiveram entre os principais destinos dos produtos paranaenses.

Tradição da rapadura levou família à cachaça

Em Altônia, no Noroeste, a história da cachaça Beijo de Moça tem origem na produção familiar de rapadura. A família de Devair Menegati trabalha há mais de 40 anos na atividade, iniciada pelo pai do produtor, hoje com 84 anos.

Antes de começar a produzir cachaça, Menegati buscou capacitação em Salinas, Minas Gerais. Ele permaneceu uma semana na região aprendendo técnicas de produção.

Ao longo da trajetória, também participou de capacitações do Sistema FAEP relacionadas à produção rural e ao processamento de derivados da cana.

“Eu queria fazer do jeito certo. A gente já vinha de uma tradição com a rapadura. O planejamento envolvia produzir uma coisa que tivesse futuro e pudesse deixar um legado”, afirmou Menegati, que atualmente conta com a participação da filha na gestão.

A comercialização ganhou espaço em feiras, cavalgadas e eventos regionais. Em uma programação realizada em Cianorte, o produtor vendeu mais de 400 pequenas garrafas em uma semana.

Morretes busca preservar cultivo da cana

A cachaça Magia da Serra, de Morretes, também participa do Orgulho Paraná. A diretora-executiva da cachaçaria e presidente da Associação dos Produtores de Cachaça de Morretes (Apocam), Andressa Voi, destaca a importância das exposições para aproximar pequenos produtores.

“Eu já conhecia a iniciativa por causa da exposição da erva-mate. Então, quando chegou a vez da cachaça e vi que o nosso nome estava entre os convidados, em meio a tantos produtores que temos no Paraná, eu não deixei a oportunidade passar”, afirmou.

Em Morretes, a manutenção da atividade envolve ainda a preservação do cultivo de cana-de-açúcar no território, incluindo a variedade conhecida como havaianinha.

Parte das áreas tradicionalmente destinadas à cana vem sendo substituída por outras culturas, como a pupunha. A Apocam trabalha para estimular a permanência da atividade.

“Estamos tentando fortalecer novamente essa tradição que Morretes tem de produzir cachaça e, ao mesmo tempo, manter a produção da cana-de-açúcar no município”, ressaltou Andressa.

Microclima influencia produção em Bituruna

No Centro-Sul, a Cachaçaria de Bastiani, de Bituruna, apresenta outra realidade. Hélio Marcio de Bastiani produz cachaça desde 1998 e mantém uma propriedade familiar que fabrica cachaças brancas, armazenadas e envelhecidas em diferentes recipientes de madeira, além de licores artesanais.

A propriedade fica às margens do reservatório da Usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, conhecida como Foz do Areia.

“A nossa região é fria. Então, em virtude do lago de Foz do Areia, conseguimos ter um microclima favorável à produção de cachaça”, relatou Bastiani.

A família participa da atividade. Um dos filhos é responsável técnico, outro atua na gestão da empresa e a filha trabalha na área administrativa.

Produtores podem participar do Orgulho Paraná

Produtores rurais interessados em integrar futuras edições do Projeto Orgulho Paraná podem procurar o sindicato rural do município e apresentar seus produtos.

As indicações para as exposições são realizadas pelos sindicatos conforme as cadeias produtivas selecionadas em cada edição.

O Sistema FAEP possui uma rede de 163 sindicatos rurais no Paraná, que pode ser consultada clicando aqui. A iniciativa busca apresentar produtos de diferentes regiões e ampliar a visibilidade da produção agropecuária transformada em alimentos, bebidas e outros itens de identidade regional.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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