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Satélites podem ajudar a mapear danos de javalis no Paraná

Lideranças rurais conheceram nos Estados Unidos sistema da Planet Labs que usa imagens diárias para acompanhar alterações nas áreas agrícolas

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Uma tecnologia de imagens de satélite usada para acompanhar lavouras poderá ser avaliada para o monitoramento de javalis no Paraná. Lideranças rurais conheceram o sistema da Planet Labs durante viagem técnica aos Estados Unidos e identificaram a possibilidade de mapear áreas atingidas e dimensionar os prejuízos provocados pelos animais.

A aplicação ainda depende de avaliação técnica. A presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP e representante do Sindicato Rural de Tibagi, Deborah Gerda de Geus, agendou uma reunião com a empresa para o fim de setembro para analisar a viabilidade da utilização.

A Planet Labs, localizada em São Francisco, na Califórnia, utiliza imagens de satélite para observar diariamente diferentes talhões das propriedades. Os dados podem ser combinados com inteligência artificial para acompanhar alterações nas áreas de manejo.

Imagens podem indicar áreas atingidas por javalis

Deborah identificou na tecnologia uma possibilidade de ampliar o mapeamento dos danos provocados pelos javalis nas propriedades rurais.

A produtora já utiliza informações do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada, conhecido pela sigla NDVI. O indicador é obtido por sensoriamento remoto e permite avaliar o comportamento da vegetação.

“Com essas imagens de satélite, podemos identificar onde o javali está causando a devastação, ter uma dimensão mais próxima do dano real e acompanhar as regiões onde esse problema está avançando”, afirmou Deborah.

A reunião prevista para o fim do mês deverá avaliar até que ponto as imagens conseguem identificar alterações provocadas pelos animais nas áreas agrícolas.

Sistema combina satélites e inteligência artificial

O gerente de Produto de Agricultura da Planet Labs, Ariel Zajdband, explicou que o sistema permite acompanhar diariamente diferentes pontos das propriedades.

“Para o produtor, o interessante é conhecer o que está acontecendo a cada dia em cada um dos talhões. Com os nossos dados, combinados com inteligência artificial, podemos produzir resumos do que está acontecendo em toda a área de manejo”, afirmou.

A visita à empresa integra a programação do quarto grupo da viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos.

A delegação reúne 40 produtores e lideranças rurais do Paraná e permanece no país até 19 de setembro.

Falta de dados dificulta controle dos animais

A busca por novas formas de monitoramento ocorre em meio à tentativa de ampliar as informações sobre a presença de javalis e os prejuízos provocados no meio rural.

Ao longo de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária conduziu a pesquisa nacional “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil”, com participação articulada do Sistema FAEP.

O levantamento busca reunir informações das propriedades para dimensionar a ocorrência dos animais, identificar prejuízos e fornecer dados para políticas públicas de controle e manejo.

No Paraná, a discussão levou à criação, em 2020, de um Grupo de Trabalho de Javalis, a partir de uma mobilização da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP.

O grupo reúne instituições como Ministério da Agricultura e Pecuária, Ibama, Exército Brasileiro, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e representantes do setor produtivo.

Javalis também preocupam setor pela questão sanitária

Além da destruição de lavouras, a presença dos animais é acompanhada pelo setor produtivo devido às questões sanitárias.

Segundo o Sistema FAEP, suínos asselvajados podem participar da circulação de enfermidades de alto impacto para a produção comercial, como a Peste Suína Africana (PSA) e a Peste Suína Clássica (PSC).

“A principal preocupação é a quantidade de doenças que o javali pode trazer, principalmente para a suinocultura, e o impacto financeiro que um problema sanitário pode provocar no setor. Além disso, existe a devastação na parte agrícola, que traz prejuízo direto para os produtores”, afirmou Deborah.

“Precisamos buscar alternativas e discutir de que forma o governo pode ajudar nesse controle”, acrescentou.

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Produtores avaliam aplicação também na pecuária

A tecnologia despertou interesse dos produtores paranaenses para outras atividades. Uma das possibilidades identificadas é o acompanhamento das condições das pastagens.

O pecuarista e vice-presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Mário Zafanelli, afirmou que as informações poderiam acelerar decisões relacionadas ao manejo dos animais.

“Pelas informações, o produtor consegue perceber que determinado pasto está deteriorado e antecipar a decisão de colocar ou retirar um lote daquela área. Isso otimiza a tomada de decisão”, afirmou.

Zafanelli também apontou a possibilidade de desenvolvimento da tecnologia para auxiliar na contagem de animais.

“Em pouco tempo, essa tecnologia pode estar na nossa mão e ajudar a solucionar uma dificuldade que temos há muito tempo”, avaliou.

Segundo o produtor, uma alternativa seria criar formas coletivas de acesso às informações, com participação de sindicatos e outras entidades ligadas aos produtores rurais.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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