Um programa da Universidade do Nebraska que transforma propriedades rurais em áreas de pesquisa chamou a atenção da delegação do Sistema FAEP durante viagem técnica aos Estados Unidos. A experiência permite testar tecnologias, produtos e manejos conforme a necessidade de cada produtor e apresenta pontos de aproximação com a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) desenvolvida no Paraná.
O Nebraska On-Farm Research Network (NOFRN) é desenvolvido pelo Instituto de Agricultura e Recursos Naturais (IANR) e permite que pesquisadores e extensionistas trabalhem diretamente com agricultores. Em 2026, 80 produtores participam da iniciativa, com mais de 100 experimentos realizados ou em andamento.
Apesar das semelhanças no atendimento individualizado, os programas têm propostas diferentes. A ATeG combina orientação técnica e gestão da atividade rural durante dois anos, enquanto o modelo do Nebraska tem a pesquisa como eixo central.
Pesquisa começa com dúvida do próprio produtor
No NOFRN, o ponto de partida para cada pesquisa é uma necessidade identificada pelo agricultor. Uma tecnologia, produto ou prática de manejo que gere dúvidas pode ser testada nas condições em que seria utilizada.
A propriedade rural passa, na prática, a funcionar também como área experimental.
Segundo Mailson Freire de Oliveira, educador de extensão da Universidade de Nebraska na área de sistemas de cultivo e água, a instituição ajuda a estruturar os experimentos, analisar os dados e interpretar os resultados.
O produtor realiza o trabalho utilizando as próprias máquinas e o sistema de produção já existente na propriedade.
“A gente dá suporte ao produtor no desenvolvimento dessa pesquisa para testar um produto, uma tecnologia ou um manejo na propriedade. O agricultor planta e colhe, enquanto nós fazemos o delineamento experimental, processamos os dados e acompanhamos todo o processo”, explicou Oliveira.
Resultado ajuda produtor a decidir
Ao término da pesquisa, os resultados são apresentados ao agricultor em um relatório. As informações podem ser utilizadas para decidir se determinada tecnologia ou produto deve ou não ser incorporado à propriedade.
“Ele consegue ter uma informação mais confiável para a tomada de decisão. Já tivemos produtores que adotaram uma tecnologia e outros que deixaram de adotar determinado produto porque a pesquisa mostrou que aquilo não funcionava dentro do sistema de produção deles”, relatou o extensionista.
Entre os experimentos estão testes sobre diferentes formas de manejo de nitrogênio, uso de imagens de satélite e ferramentas para aplicação em taxa variável.
Experiência tem pontos de encontro com a ATeG
Na ATeG do Sistema FAEP, técnicos de campo acompanham individualmente os produtores, identificam gargalos produtivos e gerenciais e estabelecem ações para melhorar os resultados das atividades.
Para o técnico do Sistema FAEP Daniel Ricardo da Silva, a experiência do Nebraska mostra uma possibilidade de ampliar a aproximação entre pesquisa científica e assistência técnica.
“Esse trabalho da Universidade de Nebraska se aproxima de algo que a gente busca: trazer a pesquisa para dentro da extensão. O produtor apresenta as dores e a pesquisa é realizada dentro da propriedade, considerando aquela realidade”, destacou Silva.
Atualmente, as recomendações da ATeG são baseadas na metodologia, no conhecimento e na experiência dos profissionais que acompanham as propriedades.
O modelo norte-americano acrescenta a possibilidade de estruturar experimentos para medir o desempenho de determinada solução nas condições específicas encontradas pelo agricultor.
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Testes podem aumentar confiança na tecnologia
Para Silva, uma das possibilidades observadas nos Estados Unidos é desenvolver testes dentro das próprias propriedades antes da adoção de novas soluções.
“Uma percepção que fica é justamente a possibilidade de fazer ciência dentro das propriedades. Estimular testes e demonstrar para o produtor, dentro da realidade dele, se uma tecnologia funciona. Quando ele vê o resultado na própria propriedade, o nível de confiança para adotar aquela tecnologia aumenta”, avaliou.
A proposta, neste momento, não é reproduzir integralmente o modelo desenvolvido no Nebraska. Segundo o técnico, as realidades dos produtores atendidos pelos dois programas apresentam prioridades diferentes.
No Paraná, a ATeG busca fortalecer a visão da propriedade como negócio, com organização de custos, receitas e indicadores que permitam ao produtor compreender o desempenho econômico da atividade.
“Muitos dos nossos produtores ainda estão se adaptando a essa questão, enquanto o produtor norte-americano, de maneira geral, já tem uma cultura mais consolidada de gestão da propriedade. A similaridade maior está em fazer o atendimento técnico de acordo com a realidade de cada produtor”, explicou Silva.
Atendimento individual reforça proximidade
O presidente do Sindicato Rural de Altônia e integrante da delegação do Sistema FAEP, Braz Pedrini, também destacou a importância do acompanhamento realizado diretamente nas propriedades.
Em Altônia, no Noroeste do Paraná, produtores de leite participantes da ATeG recebem atendimento individualizado de um técnico do Sistema FAEP.
“No nosso caso, os produtores de leite estão satisfeitos em ter um veterinário dando assistência”, afirmou Pedrini.
“Para o produtor, ter esse profissional acompanhando a propriedade faz diferença. A receptividade à ATeG tem sido grande”, concluiu.

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