Idosos vacinados contra o herpes-zóster apresentaram menor risco de desenvolver demência em um estudo com registros de mais de 500 mil pessoas acima de 66 anos. A pesquisa, liderada pela Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, nos Estados Unidos, foi publicada no periódico Annals of Internal Medicine.
Os resultados sugerem um possível efeito protetor da vacina contra o declínio cognitivo. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda o imunizante para adultos a partir dos 50 anos, mas no Brasil ele está disponível apenas na rede privada.
Como o estudo foi feito
Segundo os autores, pesquisas observacionais anteriores já indicavam que a vacina contra o herpes-zóster poderia proteger o cérebro. Para investigar essa associação, os pesquisadores simularam um estudo randomizado com dados de pacientes atendidos entre 2017 e 2022.
A amostra reuniu pessoas que passaram por clínicas ou instituições após alguma condição de saúde ou que tiveram internações longas. Nenhuma delas tinha diagnóstico de demência no início da análise.
Os pesquisadores compararam quem recebeu pelo menos uma dose da vacina com quem não foi imunizado. O risco de desenvolver demência foi menor no grupo vacinado.
O que é o herpes-zóster
O herpes-zóster é causado pelo mesmo vírus da varicela, a catapora. Depois da primeira infecção, geralmente na infância, o vírus fica latente em gânglios do sistema nervoso por décadas.
Em pessoas com baixa imunidade, como os idosos, ele pode ser reativado. Ao percorrer o sistema nervoso periférico, provoca o cobreiro, doença com lesões na pele, coceira e bolhas, que pode causar dor intensa.
Relação com o cérebro
O vírus também pode atingir o sistema nervoso central e provocar um processo inflamatório crônico capaz de causar danos ao cérebro.
“O processo inflamatório crônico somado ao envelhecimento compromete o mecanismo de reparação após uma agressão”, explicou o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita.
“Estudos sugerem que esse vírus está associado não só à demência, mas também a quadros vasculares, como acidente vascular cerebral (AVC)”, afirmou o médico.
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Limitações da pesquisa
Oliveira ressalta que o estudo tem limitações metodológicas. Entre elas estão o uso de registros que podem conter imprecisões nos diagnósticos e o grande número de pacientes da amostra total que não puderam ser avaliados.
“Ainda assim, há um grande potencial de a vacina ter esse efeito protetor”, avaliou o neurologista.
Quem deve se vacinar
A SBIm recomenda a vacinação de rotina contra o herpes-zóster para todos os adultos a partir dos 50 anos, inclusive para quem já teve a doença. Por enquanto, a vacina só está disponível na rede privada.
Com informações da Agência Einstein.

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