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Mercado financeiro

Ibovespa cai pela 4ª vez seguida e dólar fecha a R$ 5,38

Bolsa recua 1,06% e fecha aos 169.186 pontos com dúvidas sobre o plano fiscal do próximo governo Lula e queda das ações de tecnologia em Nova York

bolsa dólar

O Ibovespa fechou em queda de 1,06% nesta quinta-feira (29), aos 169.186,42 pontos, na quarta baixa seguida. O dólar à vista subiu 0,89% e terminou a R$ 5,387. Investidores reagiram às dúvidas sobre a política fiscal do próximo mandato do presidente Lula e à queda em Wall Street.

A bolsa perdeu 1.819,68 pontos no dia e fechou no menor nível desde 20 de agosto. Desde o fechamento de sexta-feira (23), antes do segundo turno, o índice acumula queda de cerca de 35,9 mil pontos, ou 17,5%.

Durante o pregão, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 168.765,35 pontos e a máxima de 171.402,97 pontos. O volume negociado na B3 foi de R$ 41,9 bilhões.

Dólar sobe com cautela fiscal

O dólar à vista oscilou entre R$ 5,343 e R$ 5,429 durante o dia. O dólar fechou o dia cotado a R$ 5,3875, com alta de 0,76%, e máxima de R$ 5,4302 às 15h26.

A Ptax, taxa de referência calculada pelo Banco Central, fechou em R$ 5,3744 na venda, alta de 0,61%. O euro Ptax ficou em R$ 6,0121, com valorização de 1,02%.

Segundo a Exame, a moeda americana chegou à máxima depois de uma publicação de Boulos no X afirmando que um ajuste fiscal não faz parte da agenda do novo governo. No fim do pregão, o dólar reduziu a alta após reportagem da Rádio CBN de que Lula pode convidar o governador do Piauí, Rafael Fonteles, para o Ministério da Fazenda.

Fatores que pesaram no mercado

O mercado aguarda sinais do plano econômico para o próximo mandato do presidente Lula, reeleito no domingo (25). Também estiveram no radar a alíquota de 11,3% da CBS, considerada acima do esperado pelas empresas, e a possível tributação de títulos isentos, como LCI e LCA.

Pela manhã, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, negou que o governo discuta a cobrança de IOF sobre esses títulos. Ele afirmou que o tema está em estudo, mas que não há medida definida.

O BPMoney destacou a estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI) de que o pacote “Fim das Bets”, medidas para o MEI e o Bolsa Família somam R$ 40 bilhões ao desequilíbrio fiscal. A dívida bruta chegou a 82,93% do PIB em setembro, o maior nível em mais de cinco anos.

No exterior, as bolsas de Nova York também caíram. A Alphabet, dona do Google, recuou 12,64% após divulgar o balanço trimestral, a maior queda percentual da história da empresa, e reacendeu dúvidas sobre os gastos com inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, o índice de preços PCE subiu 3,6% em 12 meses, e o PIB do terceiro trimestre cresceu 3,4%. O Federal Reserve (Fed) manteve os juros entre 3,75% e 4% na quarta-feira (28), com dois votos por alta, segundo a Exame.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Segundo o TradeMap, as maiores altas foram de Gerdau (GGBR4), com 5,69%, Embraer (EMBJ3), com 5,25%, Metalúrgica Gerdau (GOAU4), com 5,16%, WEG (WEGE3), com 4,41%, e Suzano (SUZB3), com 3,37%. A Gerdau subiu após divulgar resultados e receber revisão positiva de recomendação.

Na ponta negativa, ficaram Minerva (BEEF3), com queda de 6,92%, MRV (MRVE3), com 6,70%, Direcional (DIRR3), com 6,16%, Cogna (COGN3), com 5,85%, e Azzas 2154 (AZZA3), com 5,60%. Os percentuais variaram entre os veículos consultados, e a Exame e o BPMoney registraram queda de 7,96% para a Minerva.

Ambev (ABEV3) caiu 4,40%, segundo a Suno e a Forbes Brasil, mesmo com lucro acima do esperado. De acordo com a Forbes, analistas focaram no crescimento orgânico de apenas 0,5% no volume de cerveja no Brasil.

Desempenho das blue chips

Bradesco (BBDC4) recuou 3,54% depois de revisões negativas de recomendação. Segundo a Forbes Brasil, o JPMorgan rebaixou a ação para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 26 para R$ 18. O Itaú BBA também rebaixou o papel. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,97%.

Vale (VALE3) recuou 2,17%, mesmo com a alta do minério de ferro, antes da divulgação do balanço do terceiro trimestre, prevista para depois do fechamento. A Petrobras PN (PETR4) caiu 0,59%, acompanhando a queda do petróleo, e a ON (PETR3) subiu 0,05%.

Bolsas americanas e petróleo

Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,25%, aos 52.342,62 pontos, o S&P 500 recuou 0,31%, aos 7.720,23 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,38%, aos 26.184,72 pontos, segundo dados publicados pelo InfoMoney.

O petróleo Brent para dezembro caiu 0,38%, a US$ 114,88 o barril. O contrato para janeiro recuou 0,75%, a US$ 110,80, segundo a Exame, com expectativa de acordo entre Estados Unidos e Irã.

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O que dizem os analistas

O estrategista de ações da Genial, Filipe Villegas, afirmou à Exame que o capital estrangeiro que chegou à bolsa entre os dois turnos agora está saindo e que novas vendas são esperadas. Ele citou resgate recorde de US$ 632 milhões no EWZ, fundo de índice de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, e apontou a região dos 167 mil pontos como referência técnica para o Ibovespa.

Na avaliação dele, o foco do investidor agora é quanto as empresas vão lucrar com a economia brasileira em desaceleração, e não mais o preço baixo das ações.

O gestor de renda variável da Paramis Avantgard, Luciano França, afirmou à Forbes Brasil que as ações passaram a se separar entre empresas expostas aos juros domésticos e empresas com receita em dólar. “Exportadoras e nomes defensivos seguram melhor”, disse. Para ele, o prêmio na parte longa da curva de juros deve continuar até a definição da equipe econômica e de medidas concretas de corte de gastos.

Para a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, a alta do dólar mostra um movimento de saída de risco. O diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, atribuiu a valorização da moeda às preocupações fiscais e à expectativa sobre a nova equipe econômica, o que leva investidores a buscar proteção.

O economista Fabio Louzada, fundador da B7 Business School, atribuiu a aversão ao risco, segundo o BPMoney, às preocupações com as contas públicas e à incerteza sobre a política econômica.

Em Wall Street, o diretor de investimentos da Truist Advisory Services, Keith Lerner, avaliou que os investidores passaram a tratar as empresas ligadas à inteligência artificial de forma diferente, e não mais como um único bloco.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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