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Sangramento nasal: quando é preciso procurar um médico

Na maioria dos casos, o problema tem causas simples, mas episódios frequentes ou intensos precisam de avaliação

mulher lenço nariz

O sangramento nasal, chamado de epistaxe, é comum e, na maioria dos casos, não representa um problema grave. Episódios frequentes, muito intensos ou que não param depois de alguns minutos, porém, exigem atenção. Se o sangramento continuar após 15 a 30 minutos de compressão, a orientação é procurar atendimento médico.

O quadro costuma estar ligado a situações como ressecamento da mucosa nasal, resfriados, rinite, sinusite ou pequenos traumas.

Quem tem mais risco

Crianças entre dois e dez anos estão entre as mais propensas ao problema. Nessa faixa etária, a mucosa nasal é mais fina e sensível, e o hábito de colocar o dedo no nariz pode provocar pequenas lesões e romper vasos sanguíneos.

Os idosos também têm maior risco. Isso ocorre em parte pela fragilidade dos vasos e pelo uso frequente de medicamentos como anticoagulantes e anti-inflamatórios.

Outros fatores que favorecem a epistaxe são o clima frio e seco, assoar o nariz com força, traumas locais e o uso prolongado de descongestionantes nasais em spray. Mudanças de pressão atmosférica, como em mergulhos ou viagens para locais com altitude muito diferente, também podem provocar o sangramento.

O que fazer na hora

Na maioria das vezes, o sangramento é isolado e para sozinho. A recomendação é sentar e inclinar levemente a cabeça para a frente, e não para trás.

“O ideal é pedir para que a pessoa se sente e incline levemente a cabeça para frente, ao invés de para trás, como a maioria acredita, pois a cabeça elevada não controla o sangramento e ainda faz com que o líquido escorra para a garganta e o indivíduo acabe engolindo o sangue”, explicou o médico Luciano Gregório, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

Em seguida, a pessoa deve comprimir a parte mole do nariz com os dedos, como uma pinça, por cerca de três a cinco minutos.

“Colocar pedaços de algodão nas narinas também é uma boa ideia. Ainda é indicado utilizar uma substância constritora nasal com o algodão, deixando o tratamento mais eficaz, fazer uma compressa fria sobre o nariz, e evitar assoá-lo com força nas horas seguintes”, recomendou o otorrinolaringologista Pedro Wey, do Einstein Hospital Israelita.

Manter a mucosa nasal e o ambiente bem umidificados ajuda a prevenir novos episódios, principalmente em períodos de clima seco.

Quando procurar um médico

O atendimento médico é indicado quando o sangramento não para após 15 a 30 minutos de compressão. A avaliação também é necessária quando os episódios se repetem, são muito intensos ou aparecem junto com outros sinais.

Entre esses sinais estão manchas roxas pelo corpo, sangramentos em outras partes, obstrução nasal e histórico familiar de distúrbios de coagulação.

Sangramento anterior e posterior

Na consulta, o otorrinolaringologista investiga a origem do sangramento e identifica se ele é anterior ou posterior.

A epistaxe anterior ocorre na parte da frente do nariz, onde há grande concentração de vasos frágeis. Segundo Wey, ela corresponde a cerca de 90% dos casos e, em geral, é mais simples de controlar.

Quando necessário, o médico pode fazer a cauterização química do vaso. Também podem ser indicadas pomadas ou géis para hidratar a mucosa e tratamentos para condições que favorecem o sangramento, como rinite, sinusite e ressecamento nasal.

A epistaxe posterior ocorre em uma região mais profunda do nariz e tende a ser mais grave. O sangramento pode ser intenso e exigir atendimento de emergência.

“Esse tipo de sangramento costuma ser muito intenso, levando à grande perda sanguínea, e normalmente precisa de cirurgia para identificar o ponto do sangramento e fazer uma ligadura da artéria que está sangrando ou uma cauterização elétrica do vaso. Ou ambos”, afirmou o médico do Einstein.

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Episódios repetidos merecem investigação

Sangramentos nasais frequentes não devem ser ignorados, mesmo quando não há emergência. Segundo o otorrinolaringologista do Einstein, eles podem estar associados a rinite alérgica e sinusite crônica não tratadas, desvio de septo, hipertensão arterial não controlada e distúrbios de coagulação.

Em situações menos comuns, a epistaxe recorrente pode estar relacionada a tumores nasais ou dos seios da face. Por isso, a repetição dos episódios é um dos principais sinais de que a causa precisa ser investigada.

Com informações da Agência Einstein.

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Thais Szegö

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