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Terapia hormonal pode proteger os ossos na menopausa

Estudo apresentado no ENDO 2026 aponta chance 69% menor de baixa densidade óssea entre mulheres em tratamento

Mulher consulta médica

Mulheres na pós-menopausa que faziam terapia hormonal tiveram 69% menos chance de apresentar baixa densidade mineral óssea do que as que não usavam hormônios. O resultado é de um estudo apresentado em junho no ENDO 2026, congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos.

A pesquisa avaliou 387 mulheres na pós-menopausa que fizeram densitometria óssea (DEXA) entre 2021 e 2025. Entre as que usavam terapia hormonal, 31,8% tinham baixa densidade mineral óssea. Entre as que não usavam, o índice chegou a 56,2%.

As mulheres em tratamento também apresentaram melhores índices de densidade óssea na coluna lombar e no quadril. O resultado se manteve mesmo após ajustes para idade, tempo de menopausa, níveis de vitamina D, tabagismo e outras condições clínicas.

Papel do estrogênio

A relação entre hormônios e ossos se explica pelo estrogênio, principal hormônio do organismo feminino.

“Ele ajuda a manter o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do osso. Quando sua produção cai na menopausa, aumenta a atividade das células responsáveis pela reabsorção óssea, acelerando a perda de massa óssea”, explicou a ginecologista Helena Hachul, do Einstein Hospital Israelita.

A queda hormonal ocorre principalmente na transição para a menopausa e nos primeiros cinco anos após a última menstruação. Depois, a perda continua, mas de forma mais lenta. Por isso, esse período é considerado uma janela importante para prevenir a osteoporose e suas complicações.

Resultado tem limitações

Outros fatores também influenciam a saúde dos ossos, como idade, qualidade do tecido ósseo, doenças associadas, perda de massa muscular e uso de alguns medicamentos.

Os próprios autores destacam que, apesar da associação entre terapia hormonal e melhor saúde óssea, não é possível afirmar que o tratamento foi o único responsável pelos resultados.

“Existe o chamado viés de seleção: mulheres que utilizam terapia hormonal podem ter melhor acesso a acompanhamento médico, maior adesão à atividade física, alimentação mais adequada, suplementação, menor prevalência de comorbidades. Mesmo com ajustes estatísticos, sempre pode haver fatores de confusão”, afirmou Hachul.

Quem pode fazer reposição hormonal

A reposição hormonal não deve ser indicada para todas as mulheres na menopausa. A melhor relação entre benefícios e riscos costuma ocorrer em pacientes com menos de 60 anos ou com até dez anos de menopausa.

O tratamento é especialmente indicado para quem apresenta sintomas como ondas de calor, os fogachos, alterações do sono e síndrome geniturinária.

Entre as contraindicações estão histórico de câncer de mama, trombose, acidente vascular cerebral (AVC), doença hepática ativa e alto risco cardiovascular. A decisão deve ser individualizada e tomada após avaliação médica.

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Hábitos que protegem os ossos

Com ou sem hormônios, hábitos saudáveis ajudam a manter a saúde óssea ao longo do envelhecimento. As recomendações incluem exercícios regulares, principalmente musculação e atividades com carga, boa ingestão de proteína e cálcio, níveis adequados de vitamina D e prevenção de quedas.

Mulheres que não podem fazer terapia hormonal contam com medicamentos específicos para prevenção e tratamento da osteoporose. A escolha depende da avaliação de cada paciente, considerando idade, densidade óssea e risco de fraturas.

Com informações da Agência Einstein.

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Fernanda Bassette

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